Ao fazer as malas, uma sétima vez, deparei-me com o meu mp3 a tentar aquecer-se, timidamente, no bolso de um casaco já esquecido por mim.
Reparo, cada vez mais, que se deixo de observar objectos, a sua existência desaparece para mim. Perco-me na corda bamba do abstracto. Quando dou por mim, já não sou...talvez nem seja o mundo em redor que se esconde, a minha mente é que flutua ao ponto de ser duas.
Mas a música voltou, a mistura homogénea cessará e cada esquina do pensamento estará na sua rua correspondente.
(O bom filho à casa retorna)
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Impressões
Vinda do cinema, após ver o Shutter Island, tenho que afirmar que talvez haja mais loucura em mim do que quero admitir.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Cada vez mais preciso de dormir...
"Wisliz traz uma ligadura na cabeça.
Fui operado à cabeça, diz Wisliz.
Tiraram-me a inteligência.
Dizem que sou estúpido, que não percebo.
Eu fico cansado, não me consigo concentrar.
Preciso de dormir muito, diz Wisliz."
Gonçalo M. Tavares
Fui operado à cabeça, diz Wisliz.
Tiraram-me a inteligência.
Dizem que sou estúpido, que não percebo.
Eu fico cansado, não me consigo concentrar.
Preciso de dormir muito, diz Wisliz."
Gonçalo M. Tavares
Madrugadas (II)
Empoleirada na varanda, em bicos de pés, cabelo e pele ao vento, parca a roupagem, como quem espera um Romeu inexistente...é tão grande a liberdade de quem ostenta um horizonte vazio.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Virtuosismo?
Leonid Kogan transformava até as peças mais complicadas ou as mais conhecidas...em algo tão único quanto podemos sonhar sobre o original.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Revisitar

"Libria, I congratulate you. At last peace reigns in the heart of man. At last war is but a word whose meaning fades from our understanding. At last, we are whole. Librians, there is a disease in the heart of man. Its symptom is hate. Its symptom is anger. Its symptom is rage. Its symptom is war. The disease is human emotion. But Libria, I congratulate you, for there is a cure for this disease. At the cost of the dizzying highs of human emotion, we have suppressed its abysmal lows. And you, as a society, have embraced this cure. Prozium. Now we are at peace with ourselves and human kind is one. War is gone. Hate, a memory. We are our own conscience now, and it is this conscience that guides us to rate EC-10, for emotional content, all those things that might tempt us to feel, again, and destroy them. Librians, you have won. Against all odds, and your own natures. You, have, survived."

"But I, being poor, have only my dreams. I have spread my dreams under your feet. Tread softly because you tread on my dreams." I assume you dream, Preston. "
Equilibrium, 2002 ("I pay it gladly")
Madrugadas
Contive as palavras, subjuguei os gestos, quis poder agradar-te em silêncio, viver e tornar-me no mais puro de mim, momento que não precisa de pensamento ou explicação -
anjo mudo isento de ligações, onde nem as rédeas dos carroceis anunciam as cordas deslizando na garganta... - mas agora sei que deveria gritar, mesmo com todos os sentidos prisioneiros e uma alma de mim despedida, violando o sagrado espaço do medo morando em mim.
Voz faseada, dum lado para o outro, entra, saí, causando burburinho, subitamente uma lágrima a fervilhar e um nervo pautado no rosto.
Incitou a liberdade.
anjo mudo isento de ligações, onde nem as rédeas dos carroceis anunciam as cordas deslizando na garganta... - mas agora sei que deveria gritar, mesmo com todos os sentidos prisioneiros e uma alma de mim despedida, violando o sagrado espaço do medo morando em mim.
Voz faseada, dum lado para o outro, entra, saí, causando burburinho, subitamente uma lágrima a fervilhar e um nervo pautado no rosto.
Incitou a liberdade.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Semelhanças

"I have no wit, I have no words, no tears;
My heart within me like a stone
Is numbed too much for hopes or fears;
Look right, look left, I dwell alone;
A lift mine eyes, but dimmed with grief
No everlasting hills I see;
My life is like the falling leaf;
O Jesus, quicken me."
Sylvia Plath, A better ressurection
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Sintomas do real
Pesa-me o desaparecimento misterioso do meu Mp3, faz duas semanas que foi raptado pelo vazio e ainda não houve notificação, um qualquer sinal do seu paradeiro.
Desde tal viagem que as minhas caminhadas e jornadas em transportes públicos são feitas sem música, o horizonte tornou-se ausente das minhas alucinações constantes, no entanto, cada vez mais reparo que, entre o sonho e a lucidez, as vozes daqueles que mecanicamente se transportam, também, todos os dias, me afectam cada vez mais...ao ponto de entender que os sons são a minha salvação over this land, all over this wasteland...
Desde tal viagem que as minhas caminhadas e jornadas em transportes públicos são feitas sem música, o horizonte tornou-se ausente das minhas alucinações constantes, no entanto, cada vez mais reparo que, entre o sonho e a lucidez, as vozes daqueles que mecanicamente se transportam, também, todos os dias, me afectam cada vez mais...ao ponto de entender que os sons são a minha salvação over this land, all over this wasteland...
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Para a existência de um começo...
"Não há disciplina à qual me sinta forçado a submeter-me, por mais rigoroso que seja o raciocínio apelando à minha adesão. Dois ou três princípios de morte ou de vida encontram-se para mim acima da mínima submissão precária.
A lógica sempre me pareceu estranha."
Antonin Artaud
Como o som do contrabaixo, a vivência do grave e do urgente, sem saber como é que por entre cafés me deparei com a inexistência do tempo, julgo para que tudo comece basta a fome da palavra.
E encarando-me, fera, ao espelho, entendo que me eclipso cada vez mais numa espiral...venha essa viragem para que me sinta vivo.
A lógica sempre me pareceu estranha."
Antonin Artaud
Como o som do contrabaixo, a vivência do grave e do urgente, sem saber como é que por entre cafés me deparei com a inexistência do tempo, julgo para que tudo comece basta a fome da palavra.
E encarando-me, fera, ao espelho, entendo que me eclipso cada vez mais numa espiral...venha essa viragem para que me sinta vivo.
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