quarta-feira, 24 de março de 2010

Allegro non troppo

um nenúfar nas tuas mãos, como um prisma, redobrando o seu brilho na emancipação da tua luz; arregaço-te o vestido para que não te prives da água, dispo-te para que não tenhas mais medo de navegar no incerto...os teus dedos delicados desfolham a paisagem, cravam-se na tela de Deus, rasgando-a até sucessivos horizontes paralelos deslizarem na tua pele.
que te sobra agora que estás sufocada pela grandeza de existir mais que isto?
o olhar cadenciado, intermitente, colocado no vislumbre cego do amanhã, o braille da sabedoria perdida...todas as tuas acções determinadas por um contexto que pode não chegar.
mas corres, gritas, barafustas, agarras-te ao que pode nunca vir.
corres, gritas, protestas, choras aqui, intensamente, como se o teu sonho fosse algo concreto, como se o abstracto fosse forte, livremente despojado de si e materializado naquilo a que te agarras.
um nenúfar, narciso, para que te afogues no conhecimento...para que te afogues e eu te veja partir...

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