segunda-feira, 1 de março de 2010

Estranheza...

"Agora olhava, piscando os olhos, um raio de sol que inundava a carpete e, ao pensar no dia seguinte, sentia-se corar. O barulho dos sinos lá fora... Feliz, deu meia volta e desceu. Enfim, qualquer coisa a fazer, um lugar aonde ir. Todos os domingos ia até à esquina comprar o jornal. O seu universo apossava-se novamente dele.
Quando chegou ao passeio, uma sensação inesperada invadiu-o. Havia qualquer coisa de novo na rua. Sentia-o. Talvez um cão que tivesse sido atropelado. Havia morte no ar. A rua parecia vazia, nada se agitava, o sol brilhava, amarelo e sufocante. Caminhava e olhava em volta. Verificou que a sua impressão era correcta."

Arthur Miller


Deparo-me comigo, um regresso incauto pois agora não sei o que dizer. Como um estranho, as palavras soam demasiado cordiais. "Boa tarde, como vai? - Cá se vai, mas este tempo não ajuda nada...", uma distância para sempre demarcada.
E não sei se este diálogo dual me seduz, somente sei que a paisagem sofreu alterações enquanto não prestava atenção...algo me diz para deixar voar e as minhas asas estão instintivamente abertas.

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