quarta-feira, 17 de março de 2010

Inquérito

Quando a voz toca, itermitente. A pele inflamada...a luz. Permanentemente.
A janela elevada à tua cintura, tu envolta nela. Uma escadaria convidativa, um pensamento.

Tudo aparece e desaparece com uma pergunta. As cortinas do pensamento como um brilho veloz tremendo, impaciente.

Da voz fica o fantasma da palavra proibida. Aquela que desespera...
Impacientemente.

Abre as cortinas, para que entre mais desse dia, mostra-te, para que tudo seja consumido pela chama e para que nela tudo se torne ardente.

A estrela cadente da voz no abismo. As tuas mãos asfixiando a janela, num golpe apertado sobre o vidro, numa total destruição.
Ardentemente.

E ele sangra riscado pelas tuas unhas. Derrama-se em cacos, de despedaçada que foste.

Itermitente e reveladora. Essa é a tua perturbação, a do pensamento, a que foge da clareza, da claridade.
Perturbadoramente.

Como a natureza. A que tu não negas. Aqueles degraus.
A única coisa que permaneceu...



(um dos meus, 2010)

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